domingo, março 22, 2026

 

5º Domingo da Quaresma

 



Senhor, o teu amigo está doente. (cf. Jo 11, 1-45)

 

O Pai olhou o Filho  e disse-lhe com amor:

“Filho, os teus amigos humanos estão doentes.

Preciso de Ti para lhes dares um vida nova”.

E o Filho disse ao Pai prontamente:

“Eis-me aqui para fazer o que o teu e o meu coração implora”.

E de olhos húmidos de desconsolação

e brilho de esperança no olhar do coração,

desceu menino e recomeçou, carregando a nossa fragilidade.

A sua vida foi fonte de vida para quem já está sepultado

e cheira a tudo terminado.

Todos nós somos Lázaro amigo por quem deu a vida!

 

Todos os dias somos confrontados com a impotência

perante amigos doentes e cansados de sofrer.

É o mistério do sofrimento que nos corrói a esperança.

Rezamos a Deus: “o teu amigo está doente”.

E esperamos  milagres que curem os males

e a vida volte ao normal de antigamente.

Quando a notícia da morte nos surpreende,

o amargo da fé treme impotente,

como se Deus nos tivesse abandonado!

Mas vida será só somar dias e anos,

ou curar a alma e recuperar amigos perdidos?

 

Senhor, os teus amigos em guerra estão doentes,

trémulos de medo, revoltados pela destruição e a morte.

Senhor, os nossos amigos estão doentes e sem esperança,

Ajuda-nos a acreditar em Ti, ressurreição e vida,

que concorre em tudo para o bem dos que ama.

Espírito Santo, dá-nos o dom da fé e da confiança,

para que não querermos que Deus faça o que achamos melhor,

mas aquilo que é a salvação dos nossos amigos doentes.

 



sábado, março 21, 2026

 

Sábado da 4ª semana da Quaresma (21 março)

 



Poderá o Messias vir da Galileia? (cf, Jo 7, 40-53)

 

O Filho de Deus entra na condição humana,

sem pompa e nem circunstância.

A sua encarnação não se impõe pela grandeza e clareza,

mas é sinal de contradição, que divide opiniões

e nos coloca a todos à procura do Messias ao nosso lado.

Uns veem nele um profeta, outros um dos profetas,

outros um galileu revolucionário e visionário,

outros um mestre na Lei, outros uma ameaça à religião,

outros um possuído por Belzebu, outros o Messias de Deus…

 

Conhecer a realidade da vida e do outro é difícil,

pois trazemos connosco muitos preconceitos,

muitos estereótipos, muitas alergias ligadas

a culturas, povos, gerações, religiosas, políticas, sociais…

Saber fundamentar afirmações e ideias sobre o outro

é uma sabedoria que parte, não do geral para o particular,

mas do particular e para o geral duvidoso e incompleto.

As aparências iludem e catalogam, sem conhecimento pessoal

e podem ser extramente injustas e apressadas.

 

Bom Deus, Pai, Filho e Espírito Santo,

obrigado porque, conhecendo-nos a verdade do coração,

não nos olhas pelo passado, mas pela esperança do futuro.

Bom Jesus, o Filho do Altíssimo nascido de Maria

e acolhido por José, aparecendo simples carpinteiro,

nazareno e galileu, em devaneios messiânicos.

Espírito Santo, ensina-nos a ver o coração das pessoas

e a não nos fixarmos nas aparências, local de origem,

grupo social, povo, idade, ideologia e até passado perdido.

Faz de nós cristãos de verdade e não de aparências,

buscadores do mistério escondido em cada um diferente,

mas companheiro irmão nesta peregrinação da verdade e santidade.



sexta-feira, março 20, 2026

 

6ª feira da 4ª semana da Quaresma

 



Eu conheço-O, porque d’Ele venho e foi Ele que 

Me enviou. (cf. Jo 7, 1-2.10.25-30)

 

Jesus de Nazaré vem de Deus e vem em missão.

Só o Filho de Deus pode revelar quem é Deus,

não só pela palavra, mas acima de tudo pelo testemunho.

A hora de Jesus é a hora da fidelidade à aliança,

provada na cruz da injustiça e da morte do Filho de Deus.

É neste testemunho de fidelidade incondicional

que se revela a surpresa de um Deus que morre por nós!

 

Cada um de nós é de uma terra e de uma cultura,

mas quando somos batizados passamos a ser do Pai,

por meio do Filho de Deus e do Espírito Santo.

Mas dizer-se cristão não significa ainda ser outro Cristo,

porque ser cristão é uma forma de viver, de ver a história,

de sentir o destino do outro, de assumir valores

e de ocupar o tempo com sonhos e causas próprias de Cristo.

Ser cristão é constituir-se em família,

sem fronteiras nem preconceitos,

não ligando à terra ou cultura de onde vem,

mas à comunhão na fé que se professa e acredita.

 

Bom Jesus de Nazaré, mistério escondido num carpinteiro,

ensina-nos a alimentar relações de sandálias descalçadas,

com o religioso respeito pela diferença

e o acolhimento da fraternidade que nos é comum.

Obrigado, porque nos acolhes, sem olhar o passado mau,

e tens esperança na vida nova que nos queres dar.

Espírito Santo, transforma o nosso coração,

para que seja mais importante ser enviado por Cristo,

do que nascer numa terra e crescer numa cultura.

 



quinta-feira, março 19, 2026

 

5ª feira, S. José, esposo da Virgem santa Maria, Dia do Pai

 



José fez como lhe ordenara o Anjo do Senhor. (cf. Mt 1, 16.18-21.24a)

 

Deus olha para os humildes e justos, como José.

José tinha sonhos e encontrou pesadelos:

quis fugir repudiando Maria em segredo

e Deus visita-o em sonhos e diz-lhes: Não temas.

Toma Maria como tua esposa e dá o nome de jesus a seu Filho,

que é obra do Espírito Santo e não do pecado do adultério.

E José ao acordar fez o que o Anjo lhe pediu!

Assim é pai de Jesus por adoção e missão

e nosso pai na fé, como Abraão.

 

José anda em contramão dos sonhos de hoje:

o mundo de hoje quer dar nas vistas e impor-se pelo temor,

José vive a humildade do silêncio e a fidelidade da fé;

o mundo ouve mais o medo de ser enganado e traído,

José prefere enganar-se do que fazer mal a alguém

e desobedecer a Deus;

o mundo quer fama nos palcos do sucesso,

José entra e sai sem ruído nem festas de homenagens;

 

Bom Jesus, que aprendeste com José a ser carpinteiro

e a fazer a vontade do Pai como enviado em missão,

ensina-nos a ganhar o pão com o nosso trabalho

e a acolher a vontade de Deus com a confiança de uma criança.

S. José, nosso pai na fé, ensina-nos a cuidar de Jesus

e a ser membros vivos e fiéis de Cristo vivo, que é a Igreja.

Ora por estes teus filhos adotivos, para que sejamos justos como tu,

humildes e trabalhadores, seguidores e amigos do teu Filho,

focados na missão recebida e não na vaidade procurada.



quarta-feira, março 18, 2026

 

4ª feira da 4ª semana da Quaresma (18 março)

 



Os que tiverem praticado boas obras irão para a 

ressurreição dos vivos. (cf. Jo 5, 17-30)

 

Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, trabalham juntos e sempre,

para que todos se salvem da condenação eterna.

Deus é amor e o Senhor da vida

e usa a sua Palavra como luz dos nossos caminhos

e alerta para as armadinhas que mal nos prepara.

Ouvir a palavra de Jesus é conhecer o Pai

e aprender com o Filho a fazer a vontade do Pai.

Tudo fazer para salvar o maior número de pessoas

é entrar nesta missão de Deus, que não tem descanso.

 

Numa sociedade de libertinagem,

cada um quer fazer o que deseja

e só o medo de represálias o faz acautelar o seu agir.

Quando na relação com Deus se dá conta que

as consequências serão eternas e não no presente,

começa a duvidar da existência de Deus

e das consequências eternas do que semeamos no presente.

Mas o Amor atua assim, não quer condenar ou castigar,

mas alertar, aconselhar, ensinar a fazer o bem.

Cada um de nós é que nos condenamos,

virando as costas a Deus e aos outros.

 

Querido Pai, obrigado pelo envio do teu Filho

e do Espírito Santo, a esta carne frágil e inconstante

para nos acompanhar e salvar da ressurreição dos condenados.

Espírito Santo, mestre do amor que ages no coração,

ensina-nos a viver como Jesus, a fazer a vontade do Pai

e ser presença e anúncio do Evangelho da vida.

Ajuda-nos a entrar nesta missão de Deus, que não se cansa

nem julga ou condena, pois quer apenas salvar o que está perdido.



terça-feira, março 17, 2026

 

3ª feira da 4ª semana da Quaresma (17 março)

 



Jesus perguntou-lhe: «Queres ser curado?» (cf. Jo 5, 1-3a. 5-16)

 

O Filho de Deus percorre connosco os mesmos caminhos.

Ele anda à procura de doentes e oferece-se para curar.

Não é como as águas da piscina de Betsatá,

que embora se chame “Casa da Misericórdia”,

é preciso esperar que as águas se agitem

e lançar-se nessas águas para ser curado das enfermidades.

Jesus é a fonte da misericórdia que vem ao nosso encontro,

gratuitamente, pela palavra que move a levantar-se

e a carregar a nossa enxerga e reparar o lugar do encontro

e do descanso no seio da família e na noite da libertação.

 

Às vezes somos como os dependentes de drogas,

que reconhecem que vivem num lamaçal de morte,

mas não querem ser curados

ou sentem-se arrastados a ser e permanecer doentes.

Às vezes o pecado paralisa-nos o andar e a criatividade,

mas como é o que toda a gente faz, não sentem arrependimento,

e não querem ser curados nem perdoados,

porque preferem continuar já conhecido, embora sofrido.

 

Senhor Jesus, fonte da misericórdia que jorra remédio

para as paralisias que nos tornam um peso para os outros,

cura-nos e dá-nos forças para nos levantar e começar a caminhar,

carregando as nossas enxergas que nos envergonham

e nos alegram como troféu que dá glória a Deus, em Jesus.

Senhor, cura a falta de força em ousar a mudança

e purifica a esperança na fonte que nos dessedenta

e vai rumo à santidade que faz a diferença

e descobre em Jesus o Salvador que eu como cego esperava.



segunda-feira, março 16, 2026

 

2ª feira da 4ª semana da Quaresma (16 março)

 



O homem acreditou nas palavras que Jesus lhe tinha dito e pôs-se a caminho. (cf. Jo 4, 43-54)

 

Jesus é a Palavra da vida que cura e faz viver.

A sua força não é o toque, nem a proximidade,

mas o amor e a compaixão, a vida que gera vida.

Ele é o falar de Deus que cria e recria, que perdoa e salva.

É pela fé que somos salvos, quando confiamos em Jesus

e nos colocamos a caminho, sob a nuvem da esperança.

Jesus é a mesma palavra que escutamos no Evangelho

e espera de cada um de nós a mesma fé deste pai de Cafarnaum.

 

A oração de súplica é um sinal de fé,

mas em que é que confiamos quando suplicamos graça?

É nesta imagem milagrosa e neste santuário de renome?

É numas palavras poderosas e eficazes

para arrancar ao divino o que queremos e quando o pedimos?

É num pregador e taumaturgo que faz milagres?

Ou é em Jesus e na sua Palavra

que nos abre à conversão e ao que Deus quer de nós?

 

Senhor Jesus, eu creio em Ti, mas aumenta a minha fé.

Espírito Santo, abre-nos à Palavra da vida

e ensina-nos a pôr-nos a caminho no Caminho que é Cristo.

Senhor, sentimo-nos impotentes perante os senhores da guerra,

e sentimos a tentação de entrar nestas fileiras,

desejando a morte e o castigo dos que julgamos faltosos.

Contigo rezamos pela mansidão e a paz que cura a divisão

e Te pedimos por todos os feridos e mortos como números sem rosto.



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