sábado, setembro 26, 2026
Sábado da 25ª semana do Tempo Comum (26 setembro)
Eles, porém, não compreendiam aquelas palavras;
eram misteriosas para eles. (cf. Lc 9, 43-45)
A linguagem da cruz é misteriosa e difícil de entender.
Sonhar com um Messias triunfador e sem dor,
esbarra com um Messias Servo de Javé,
que veio para servir e dar a vida pela salvação de todos.
A cruz parece fraqueza e fracasso
e não se entende um messianismo assim!
A cruz é, por isso, uma pedra de tropeço para a fé de muitos.
S. Paulo chama-lhe: loucura e sabedoria da cruz.
Uma das razões pelas quais muitos não acreditam
é a paciência e a forma de recompensa de Deus:
não há proximidade temporal que crie causa e efeito.
Pode-se afirmar que Deus não existe ou até que injuria-Lo,
que não nos cai um raio na cabeça.
O castigo merecido transforma-se em tempo oferecido
para que o pecador se arrependa e o perdido se encontre.
Também os justos, os que praticam a caridade e são bondade,
são muitas vezes acusados de fracos, beatos e ingénuos,
e Jesus não castiga os maus e parece responder silêncio!
Bom Jesus, que aceitaste a cruz para vencer a morte,
ajuda-me a compreender o mistério da vida e da missão de Deus.
Espírito Santo, dá-nos o dom da sabedoria da cruz,
que sabe ser forte perante a violência e a injustiça,
sem se deixar contaminar pelo rancor e a vingança,
continuando a acreditar na mansidão e no amor.
Dá-nos, Senhor, o dom da fé que vence a injustiça,
sem usarmos a espada que fere e mata
nem a língua que injuria e condena.
50 anos de vida consagrada (1976-2026)
Cinquenta anos a aprender a ser consagrado
a Jesus pobre, casto e obediente.
Uma aventura bonita e extraordinária,
nem sempre bem correspondida,
apesar do sorriso acostumado nos lábios.
Tanta gente amiga que foi e é cajado,
pela amizade, o estímulo e a oração.
Corri Portugal e dei volta ao mundo,
Angola como primeira missão (1986-1990),
Brasil, a estudar missiologia e pedagogia,
e aprendiz de pastor nas favelas (1990-1992).
Lisboa, como formador e pastor dos subúrbios (1992-2001)
e depois superior da Província Portuguesa (2001-2007).
Fátima: ecónomo provincial, administrador,
pregador de retiros, assistente espiritual, cuidador…
Não houve monotonia nesta caminhada!
Obrigado, meu Deus, por tanta gente que faz parte de mim.
Obrigado, meu Deus, pela fecundidade semeada e não merecida,
Obrigado, Verbo Divino, porque me chamaste a ser sócio da tua missão.
Obrigado, Espírito Santo. Foste e és incansável
em inspirar-me coisas do Céu que vislumbro na noite.
Obrigado pelos meus pais, irmãos e família de sangue.
Obrigado pela família alargada de consagração,
Companheiro de congregação e não só.
Obrigado pelos meus onze colegas em primeiros votos
e pelos quatro ainda na congregação do Verbo Divino.
Abençoa os meus passos e sê a força na minha fraqueza.
sexta-feira, setembro 25, 2026
6ª feira da 25ª semana do Tempo Comum (25 setembro)
«Quem dizem as multidões que Eu sou». «E vós, quem dizeis que Eu sou?». (cf. Lc 9, 18-22)
O Filho de Deus, feito Filho do Homem, é uma pergunta,
que interpela a todos e nos põe a todos em peregrinação.
As multidões falam de Jesus, e Jesus põe os discípulos a falar:
E vós quem dizeis que Eu sou?
Toda a nossa vida de fé e missão
é uma tentativa de responder a esta pergunta.
Querer fechar a resposta antes do encontro definitivo,
é impedir que o mistério pascal de Jesus nos surpreenda
e nos salve pela sua morte e ressurreição.
Cristo é um mistério aberto e frágil
que permite a liberdade de opiniões e considerações.
Uns, como não podem controlar Jesus,
ignoram-No e evitam falar sobre Ele.
Outros, querem-No conhecer como personagem histórico,
mas recusam-se a aceitar que seja o Filho de Deus,
morto na cruz e ressuscitado ao terceiro dia.
Outros admiram Jesus, mas não aceitam a Igreja
como o seu Corpo místico, sacramento da sua graça.
Senhor Jesus, Tu és o amigo escondido,
frágil como o amor incondicional,
libertador das amarras do pecado,
irmão que nos esperas sempre como irmão perdido.
Continuo à procura do teu Rosto nos rostos humanos,
como peregrino da missão que é a tua,
buscando a fidelidade à tua novidade e humildade.
Espírito Santo, abre o nosso coração ao mistério da fé.
quinta-feira, setembro 24, 2026
5ª feira da 25ª semana do Tempo Comum (24 setembro)
E Herodes procurava ver Jesus. (cf. Lc 9, 7-9)
O desejo de ver a Deus é o anseio de O conhecer.
Deus, ao enviar o seu Filho, tornou possível vermos a Deus
em forma humana, despojada de poder que se imponha.
Jesus inquieta e deixa perplexos todos os que O encontram,
mas penetrar o mistério da sua vida precisa de um olhar de fé.
Herodes procura ver Jesus, mas quando o pode ver,
desprezou-O e colaborou na sua condenação,
por O ver frágil e sem entrar no jogo do espetáculo milagreiro.
A curiosidade é a fonte da ciência e até da fé,
mas há curiosidade que apenas pretende colecionar eventos.
É semelhante às selfies com os famosos,
que pretendem apenas ganhar a fama dos famosos.
É o perigo das assembleias-espetáculo,
que mexem com a emoção e a curiosidade,
mas que nem sempre passam do sentimento
e não dão continuidade nem raiz à sua vida de fé em Jesus.
Obrigado, bom Deus, por nos mostrares o teu rosto,
no rosto humano de Jesus, o teu Filho amado.
Espírito Santo, purifica a nossa curiosidade de ver Jesus,
para que a escuta da sua Palavra e a contemplação da sua cruz,
nos ajude a dar passos no caminho da fé e da missão.
Bom Jesus, tão igual a nós e tão diferente,
que nos pões à procura para além do que se vê,
nessa arte de amar e de perdoar o pecador,
colocando sempre a salvação da pessoa humana no centro.
quarta-feira, setembro 23, 2026
4ª feira da 25ª semana do Tempo Comum, S. Pio de Pietrelcina (23 setembro)
Os Apóstolos partiram e foram de terra em terra a
anunciar a boa nova. (cf. Lc 9, 1-6)
Deus é missão por meio dos seus enviados.
Jesus foi enviado pelo Pai a dinamizar a missão de Deus,
escolhendo discípulos para os enviar como apóstolos
a irem de terra em terra a anunciar a boa nova de Jesus.
Hoje, o Espírito Santo continua a chamar discípulos de Jesus
e a envia-los a toda a criatura a anunciar o Evangelho de Jesus.
Missão não é apenas fazer quilómetros,
mas ser mensagem viva do Evangelho
e fazer chegar esta mensagem nova
a todos os que não a conhecem nem nela confiam.
Tem que haver sempre um partir de si mesmo,
um sair da sua comodidade e individualismo,
um abrir o coração e amar os irmãos desconhecidos.
A indiferença é neutralização da evangelização.
Querido Pai, que geras a missão no Filho e no Espírito,
obrigado porque não só nos salvas no Filho,
como fazes de cada um de nós colaboradores da tua missão.
Querido Jesus, que deste a vida para nossa salvação,
anima-nos com o teu Espírito para que seguindo os teus passos,
possamos ser testemunho e anúncio do teu Evangelho.
S. Pio, apóstolo que atrai penitentes à conversão,
intercede para sejamos uma Igreja viva e missionária,
despojada de poder e cheia de fé humilde e fiel.
terça-feira, setembro 22, 2026
3ª feira da 25ª semana do Tempo Comum (22 setembro)
Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em
prática. (cf. Lc 8, 19-21)
O Senhor enviou o seu Anjo a falar a Maria.
Ela escutou-o e aceitou o desafio que Deus lhe fez.
Maria foi a Mãe do Filho de Deus,
porque escutou a Palavra de Deus e pô-lo em prática.
Também nós quando escutamos o Evangelho
e o praticamos, a vida fica fecundada
e gera Cristo pelo testemunho e o anúncio.
Há pessoas que ficam fora do alcance do Evangelho,
para ver se é verdadeiro e fiável para viver.
Como não o escutam, não o praticam,
embora às vezes o critiquem e desvalorizam.
Outros escutam-no nas celebrações e leituras,
mas ouvem-no como letra morta
e, quando muito, acham-no bom para os outros o praticarem.
Senhor, Palavra de Deus encarnada por meio de Maria,
continua a semear no meu coração,
para que fecundado pelo Evangelho,
possa gerar para fé muita gente.
Maria, Mãe e discípula do seu Filho Jesus,
ensina-nos a acolher a Palavra de Deus
e a ser como Tu, Mãe de Jesus e irmão de todos.
segunda-feira, setembro 21, 2026
2ª feira, S. Mateus, apóstolo e evangelista (21 setembro)
Jesus disse-lhe: «Segue-Me». Ele levantou-se e
seguiu Jesus. (cf. Mt 9, 9-13)
Jesus, o bom pastor, anda à procura das ovelhas perdidas
e viu em Mateus um apóstolo e evangelista,
quando estava sentado à mesa de cobrança de impostos.
Jesus chama-o, pois é Ele que faz o apóstolo,
um pecador perdoado e curado.
Mateus levanta-se e abre a sua casa a Jesus e aos pecadores,
pois este encontro é redentor: Jesus é o médico que cura.
Passamos a vida a tentar proteger-nos dos outros.
O medo é que os maus e os doentes nos contagiem.
Jesus prova que podemos ser contagiar e curar o outro
com a bondade, a fidelidade, a solidariedade, a fé,
a paz, a justiça, a alegria, a verdade, a reconciliação…
Por isso, Jesus toca o leproso para o curar,
come com os pecadores para os converter,
dá a sua vida para vencer a sua e a nossa morte!
Bom Jesus, obrigado porque continuas a passar
e a olhar a nossa vida com esperança e confiança.
Bendito sejas, Médico que curas o nosso passado
e nos dás a tua graça para, apesar de indignos,
nos chamares a ser teus colaboradores na missão
de levar Cristo a abrir os corações de todos, todos, todos.
S. Mateus, cobrador de impostos
a dar de graça o que recebestes de graça, reza por nós,
para que sejamos uma Igreja missionária.
domingo, setembro 20, 2026
25º Domingo do Tempo Comum (20 setembro)
Amigo, em nada te prejudico. Eu quero dar a este último tanto como a ti. (cf. Mt 20, 1-16a)
O olhar bom de Jesus é justo e bom.
Ele sempre olha para o “hoje” da nossa resposta.
Ele atende ao pedido do seu companheiro da cruz
e acolhe-o no paraíso, onde Ele é o caminho e a porta.
Cada pecador perdoado é um trabalhador da última hora,
a quem o Senhor salva e dá a mesma paga dum justo de longa data.
É a revelação da festa que é feita no Céu,
quando um pecador se arrepende e acolhe a misericórdia divina.
O pecador atrai para si olhares maus e acusadores,
que rotulam, marginalizam, estigmatizam.
O ciumento tem olhar mau para todos os que são amigos
do cônjuge com quem vive e tem medo de perder.
O racista tem olhar mau para os estrangeiros que são pobres,
mas ao turista estrangeiro olha-o com olhar bom.
Os pais, pelo contrário, tem olhares bons para com os filhos,
e compreendem-lhes as fraquezas, acreditam nas suas capacidades,
são pacientes com eles, estão sempre disponíveis para os defender.
Bom Jesus, obrigado porque nos olhas com olhar bom,
que sabe perdoar e animar a levantar-nos,
para que o hoje da nossa salvação seja presente
e o passado do nosso rumo incerto seja curado.
Espírito Santo, ensina-nos a ter um olhar de amor
para com todos, de modo especial para com os últimos,
os marginalizados, os diferentes, os pecadores.
Ensina-nos a justiça que cura, salva e liberta.

